sábado, 16 de outubro de 2010

Quem quer nobreza?

Não gosta de trabalhar? Tudo bem, você não é o único! E aposto que de vez em quando parece que o sentimento é recíproco. Realmente, talvez isto até seja uma falha de caráter, tendo-se em vista que o trabalho é um grande enobrecedor da alma, mas (suspiro) precisava ser tão trabalhoso? Certamente, enquanto você conquistava novos horizontes sobre sua motocicleta ou veleiro, pensava em como seria bom não ter mais que trabalhar. É claro, isso até ser arrancado da estrada pelo cruel e ensurdecedor som emitido pelo despertador, que vem como as batidas no tambor do navio negreiro pelas mãos do capataz. Após acordar, você se coloca em pé ao lado da cama por um instante, apenas apreciando o agradável momento e o belo dia que faz lá fora. Hora de ir pro trabalho. Depois de mais um momento agradável, proporcionado pelas outras cinqüenta mil pessoas que decidiram entrar no mesmo vagão do metrô que você pega, você finalmente chega ao trabalho. Antes que se iniciem as atividades, todos se dirigem para a reunião matinal, onde o chefe aparece para verificar se todos têm trabalho suficiente no dia. Depois da reunião, cada funcionário tenta localizar a mesa que se esconde debaixo de sua respectiva pilha de relatórios. Na metade da manhã, o primeiro momento de felicidade coletiva no dia: Ao fundo do escritório, como o clarão de um raio, reluz a bandeja na qual repousa uma garrafa de esperança, trazida pelas belas mãos da moça do café. Instantaneamente todos se dirigem ao corredor para alguns minutos de intervalo, apreciando o doce néctar trazido pela santa do café. Intervalo este que, na mesma velocidade com que inicia, termina quando alguém ouve os firmes passos do chefe que também conhece o horário do café e aproveita para trazer mais relatórios. Neste momento, sua memória traz de volta a lembrança do navio negreiro. Após mais alguns instantes, chega o horário de almoço. Uma hora inteirinha para não se fazer nada. É como se você estivesse falando ao seu chefe em tom de deboche: “Olha pra mim, estou no escritório e não estou trabalhando!!!”. Após o almoço, cada hora que passa é comemorada como uma batalha vencida. Isto sem falar no fatídico minuto que precede o fim do expediente, o minuto mais longo do dia, quando parece que o ponteiro do relógio insiste e não andar mais. E esta rotina se repete por intermináveis dias, semanas, meses... É claro, com alguns agravantes, como sextas feiras e dias de pagamentos. Ah, e não nos esqueçamos do pagamento. Sim, o maior instigador ao trabalho e o maior motivo de alegria do trabalhador. Mesmo que esta felicidade dure apenas um ou dois dias, que é o tempo que você demora para conseguir pagar suas contas. Bem, agora que o intervalo acabou, volte ao trabalho. Antes que o capataz comece a rufar os tambores novamente.


El Ezequiel

sábado, 2 de outubro de 2010

Utilidade pública!

Buenas!

Estamos sendo roubados! (Cá entre nós, que novidade!)

Minha esposa estava mostrando um detalhe sórdido em um pedaço de papel, que acabou por me tirar o sono da tarde. É uma coisa absurdamente simples, porém te garanto que você também ficará abestalhado ao saber que, assim como eu, é roubado descaradamente, todos os meses e nem se deu conta ainda.


Façamos o seguinte:

Pegue sua conta de energia elétrica e vá conferir os cálculos da safada. Alguma coisa não bate? Fique tranquilo, na minha também tem erro.

Vou colocar a minha conta como exemplo e você pegue a sua para acompanhar.

Recebi uma fatura no valor de R$ 134,75

Na descrição dos COMPONETES DA TARIFA eu tenho:

ENERGIA - R$ 39,23

DISTRIBUIÇÃO - R$ 29,67

TRANSMISSÃO - R$ 9,54

ENCARGOS - R$ 11,67

TRIBUTOS (Este aqui é PIS e COFINS) - R$ 5,24

TOTAL - R$ 95,35 (gravem este valor)

Partimos então para o cálculo do ICMS. Você sabe como se calcula o tal imposto? Não? Eu te explico: você pega o valor da MERCADORIA/SERVIÇO e MULTIPLICA pela ALÍQUOTA, que varia devido uma série de fatores. No caso da Energia Elétrica a alíquota é de 25%.

RESUMO: ICMS = VALOR (R$) X ALÍQUOTA (%)

AINDA TÁ DIFÍCIL? Vá até a página da RECEITA FEDERAL, clicando aqui.

Naquela minha conta, sendo cobrado imposto sobre imposto e eu nem me importando com isso, eu teria:

R$ 95,35 X 25% = R$ 23,84 (após arredondamento para cima)

Alguém me explica por que eu pagarei R$ 31,78? Tua conta também deu errada, não é?


Ah! Existe a cobrança de Iluminação Pública Municipal, no valor de R$ 7,62. Mas ela só é somada no final, que pena.
O que acontece é muito simples. Não se calcula 25% do valor de sua conta para ICMS, o que é feito é um calculinho bagaceiro que transforma o valor que tu deves, já adicionado PIS, COFINS e todos os outros "Impostins", em 75% do valor devido. Usando uma simples regra de três.

Explicando novamente:

Me foi cobrado o valor de R$ 134,75;

Desconte daí o valor de Iluminação Pública R$ 7,62.

Resta uma base de cálculo de exatos R$ 127,13

Desconte 25% deste valor e teremos R$ 95,35.

Ao invés de calcular:

(R$ 95,35 X 0,25) + 95,35 = R$ 119,19. Com R$ 23,84 de ICMS.

Foi realizada a seguinte operação:

R$ 95,35 X 100 / 75 = R$ 127,13. Que soma R$ 31,78 de ICMS.

Se você prefere, basta fazer:

R$ 95,35 / 0,75 = R$ 127,13.

Até aqui a matemática te deu dor de cabeça? Só nesta conta eu economizaria exatos R$ 7,94 (R$ 31,78 - R$ 23,84). Isto, lembrando vocês, que nem me dei ao luxo de reclamar a tributação sobre outros impostos já cobrados anteriormente e para não agredir ninguém dizendo que me foi roubado este valor.


Eu, você e toda a trupe, pagando imposto a mais e nem tomando conhecimento disto. Que maravilha!!!

Agora a parte boa.

Existem advogados que estão começando a correr atrás deste prejuízo aos nosos bolsos. Se você possui residencia fixa a bastente tempo, com a continha bonitinha no teu nome... vá procurar um advogado e boa sorte!!!

Agora deixe eu botar me nariz de palhaço de novo. Gastei o cartucho do ano!!!



Um "Upa!" bem forte!!!

Carlão (lesado) Bueno