domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Banho...

O pai se dirige alegremente a casa do filho com o qual há tempos perdera o contato. Por causa da faculdade, o garoto morava em um apartamento no centro da cidade, de onde poderia se deslocar mais facilmente.


Após cinco ou seis batidas, o garoto atende a porta, enrolado em uma toalha, com ombros e cabelos cobertos por uma fina camada de água.

- P-pai...? – diz o garoto surpreso ao ver seu genitor, enquanto se esgueira para fora do apartamento.

- Sim! Estava passando por perto e resolvi fazer uma visitinha surpresa!

- Bem, podia ter avisado antes...

- Mas aí não seria uma surpresa... – retruca o pai com ar irônico. Mas e daí, o que me conta de novo? Como anda a vida? Posso entrar?!

- Bem, estou bem, mas... pra falar a verdade... o senhor me pegou em um momento meio complicado...

- Como assim, momento complicado? O que é mais importante do que falar com seu pai?

- É que... eu estou no banho... – responde o jovem, corando.

- E qual o problema? Eu espero na sala...

- ...- Silêncio constrangedor.

- Ôu... Entendi... Está acompanhado... Esse é meu garoto!!!

- Pois é...

- E como ela é? Heim? Heim? Aposto que ela é “mó gata”!

- Bom, na verdade, não é bem assim...

- Não é bem assim? Não é bem assim só se forem duas...

- ...

- São duas??? Minha nossa!!! Esse garoto só me dá orgulho!!! Posso ver???

- Pai...

- Por favor, só uma espiadinha!!! Por favor!!!

- Pai...

Neste exato momento ouve-se ao fundo, uma voz grave como a de um rinoceronte:

- Amor, você vai voltar pro chuveiro?

Silêncio mortal. Naquele momento não houve troca de palavras, mas, naquele ano, o jantar do dia dos pais seria cancelado.





Ezequiel Wilson

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Amenidades 2 (Apenas mais um conto doentio)...

Os olhos vendados aos poucos se abriam. Já era tarde da noite, ou início do dia. É difícil ter noção do tempo quando se está amarrado à uma cadeira em um quarto escuro. O silêncio no recinto era aterrorizante, e parecia que aumentava mais a cada segundo.

Tomaz achava difícil de acreditar que de uma hora para outra alguém pudesse se tornar uma vítima do que quer que fosse, como ele havia se tornado. Aliás, nem mesmo lembrava como tudo acontecera. Apenas sabia que estava caminhando na direção do estabelecimento onde todos os finais de semana alugava filmes, quando ouviu o som de um carro se aproximando, sentiu uma estranha ardência em seu pescoço, e depois tudo ficou escuro. Quando acordou já estava amarrado.

Durante o tempo de cativeiro, Tomaz tentava formular uma lista de possíveis motivos para alguém sequestra-lo. Óbvio que encontrar motivos não seria difícil, sabendo-se que o rapaz era filho do senador que havia declarado guerra aos traficantes. Mas mesmo assim algo soava estranho, talvez até incomum... O ambiente era muito quieto, não ouvia passos, conversas, nem sequer barulho na rua, somente o som do vento. As vezes mais forte, as vezes como uma pequena brisa balançando as árvores, mas sempre incessante.

Foi então que a porta se abriu e alguém entrou. Tomaz, assustado, tentou se livrar das cordas que o mantinham preso, mas, como nas outras dez ou quinze tentativas anteriores, não obteve sucesso. No canto da sala ele ouviu o barulho de objetos metálicos sendo organizados sobre uma mesa.

- Por favor, me deixe ir... - Suplicava o rapaz já quase sem voz.

Neste momento as luzes se acenderam e alguém tirou sua venda. No início foi difícil enxergar, pois há muito estava no escuro, mas, passado o choque inicial do contato dos olhos com a luz, Tomaz pode ver o homem alto que se inclinava em sua frente com seus olhos azuis bem abertos e um ar de satisfação.

Olhando em volta, pode observar uma sala muito limpa e organizada, com grandes janelas que acusavam uma densa floresta em volta da casa. O homem estava virado para uma mesa, na qual se encontrava uma terrível e lustrosa coleção de facas, armas cortantes e outros objetos que deixavam o jovem Tomaz com uma péssima sensação.

- Por favor, me solte, eu imploro...

O homem parecia não ouvir os lamentos do rapaz.

- Vamos lá, eu não conto pra ninguém...

Silêncio.

- Você sabe quem eu sou... Meu pai pode pagar qualquer resgate... é só você pedir e ele paga...

- Está enganado, garoto - iniciou o homem - não faço idéia de quem você seja. Muito menos seu pai.

- Meu pai é o senador...

- Eu te trouxe até aqui - interrompeu o homem - sem saber quem você é, não lhe passou pela cabeça que talvez eu não queira saber?

- Mas, então... por que me sequestrou?

- Meu Deus, você é burro assim ou só está fingindo? Preste atenção e tente acompanhar meu raciocínio. Você está em uma casa no meio da floresta, o que quer dizer que ninguém vai te ouvir. Você está amarrado nesta cadeira por quase 16 horas e ninguém te alimentou ou te deu água, o que quer dizer que isso não é um sequestro e eu não dou a mínima se você está bem. Eu acendi a luz, tirei sua venda e mostrei meu rosto, então...? Então...?

- Então... eu não vou sair daqui... Você vai me matar...

- Não, não, não, não, não, não, não... Eu não vou te matar... Nunca fiz isso, meu negócio é outro... Vou torturar você. Você morrer é só uma consequência. Mas não sou um assassino, sou um torturador, capisci?

- Mas, por que eu?

- Por que você? Bem, sei lá, porque você estava sozinho na rua e, pelo seu porte físico, me pareceu que poderia render algumas horas de diversão! Mas chega de papo, vamos ao que interessa!

Dizendo estas palavras, o homem pegou uma pequena faca que jazia sobre a mesa, se aproximou de Tomaz, agarrou seu braço e, com um delicado movimento, atravessou o bíceps do rapaz, que se contorcia de dor.

- Opa, esqueci da mordaça. Ninguém pode te ouvir, mas odeio gente que grita...

Depois disso, virou-se para a mesa:

- Então, vamos brincar com o que agora?

Pegou um pequeno martelo e um pedaço de metal cilíndrico, e se aproximou de Tomaz novamente. Abaixou-se em sua frente e, com a ajuda da barra metálica, martelou os dedos do rapaz, um à um.

- Hehehehe, isso é tão divertido! Hum, acho que consigo usar isso nos joelhos também! - disse o homem sorridente.

Com a mesma barra, porém utilizando uma marreta maior, o torturador rachou ao meio a rótula esquerda do garoto. Neste momento Tomaz desmaiou pela primeira vez. Passados algúns minutos, foi acordado por um balde de água gelada que foi derramada em sua cabeça.

- Ei, idiota, se eu quizesse alguém que não interagisse tinha te matado antes... Mas tenho boas notícias! Decidi que a rótula direita pode dar um bom suporte para copos, então não vou quebra-la! - Disse o homem em uma terrível gargalhada... - Vamos ver, ainda temos os pregos para trilhos de trem, o massarico, a lâmina para arrancar tiras de couro, e... Ah, sabia que não tinha esquecido! Meu alicate universal!!! Yes!!!

Tomaz só pensava em morrer. Queria que aquilo terminasse logo. Desejava não ter saido de casa naquele dia, ou, pelo menos, ter se despedido de sua família... Mas de onde estava, sabia que não tinha mais volta. O maníaco deleitava-se arrancando as unhas das mãos do rapaz, enquanto a única coisa em que o garoto tentava focar sua mente, era o velho rádio no canto da sala, que tocava "That's All Right" do Elvis.

Nisso, toca um celular. O homem levanta, pega o aparelho de seu bolso e, com olhar de frustração, atende.

- Oi amor. Não, não esqueci do jantar. Claro que não vou me atrasar. Já estou atrasado? Tudo bem, avise as crianças que já estou indo. Ok. Também te amo.

Desligando o telefone, virou-se para Tomaz e disse:

-Bem, meu amiguinho, me diverti muito!!! Mas infelizmente não posso continuar nossa brincadeira. É aniversário de minha esposa e estou atrasado. Por questão de princípios, não posso te matar... Mas também não posso simplesmente te deixar ir. Então vamos fazer o seguinte trato - disse o homem pegando uma faca e um estilete de cima da mesa - deixo esta faca cravada em sua coxa direita - penetrou a faca na perna do rapaz - e este estilete em sua mão esquerda. Como suas mãos estão amarradas separadamente, você liberta a mão direita e pega a faca para se libertar, ok? Agora só vou dar mais um último toque final antes de ir embora!

Segurando a marreta em uma das mãos, o homem posicionou um dos pregos de fixação dos trilhos entre o pescoço e a clavícula direita do rapaz, que suava nervosamente. Com um rápido movimento, o prego penetrou a carne do garoto que novamente desmaiou.

- Que moleirão, da próxima vez tenho que pegar alguém um pouco maior...

E o homem abandonou a casa ajeitando sua gravata.




Ezequiel

sábado, 5 de fevereiro de 2011

PASSATEMPO

Em época de férias, nada melhos que um passatempo pra dar uma distraída e uma relaxa.

Portanto divirtam-se com esse sensacional:



Jogo dos 7 Erros
A imagem abaixo foi alterada com ajuda do Photoshop. Procure 7 absurdos. As respostas estão abaixo.





1. O plenário está cheio e é uma quinta de verão.
2. Não foi aprovado nenhum projeto em benefício próprio.
3. Todas as pessoas na cena possuem ensino fundamental completo.
4. Nehuma carteira foi roubada.
5. Ninguém foi xinngado.
6. Estão tratando de um assunto que beneficiaria milhões de pessoas da classe C.
7. Ninguém está dormindo.










"Se toda CPI fosse de vera
Ia faltar cadeia no país
Se satanás morasse em Brasília
Seria, com certeza, aprendiz"

Falcão - Ordem e Progresso

Novos Flagras Fotográficos

Buenas indiada bagual.

Estamos de volta com o nosso jornalismo investigativo. Apresento pra vocês, novos flagrantes da vida real, conseguidos com muito suor, sagacidade e propinas.






Builing - Entra ano e sai ano e essa prática nociva para a nossa sociedade vai se perpetuando e fazendo, cada vez mais, parte do nosso cotidiano. Algo precisa ser feito pra preservamos a integridade física e moral de nossos jovens e crianças. O flagrante mostra o final trágico de um jovem que resolveu dar um fim à própria vida de tanto ser chamado de "frutinha" pelos colegas.







Olimpíadas - Depois que "Dança de Salão" passou a ser esporte olímpico, várias modalidades absurdas estão sendo cotadas para entrarem pra esse (um dia) seleto grupo. A mais nova tentativa é da APPEE (Associação Portuguesa de Praticantes de Esconde Esconde) está pleiteando a entrada do seu hobby nos próximos Jogos Olímpicos. Na imagem vemos o campeão português da modalidade.









Tecnologia - Com o aquecimento global, vários órgãos estão começando a se preocupar mais seriamente em desenvolver combustíveis menos poluentes. O flagrante mostra que o biocombustível, mais que um projeto, já é uma realidade.



PALHAÇADA!!!!!!!!!

Alguém aí viu aquela história de 13° signo??? Que absurdo! Primeiro rebaixam Plutão, agora isso.
Se vai vingar ou não, eu não sei. Só sei que, em se confimando, meu novo signo passa a ser Angela Bismark, afinal me tornarei virgem depois dos 30.














"A sociedade não pode viver sem as pessoas." - Falcão ( quem mais seria?)