quarta-feira, 30 de março de 2011

Louco? Talvez Não Mais...

Era noite. Mesmo que a hora fosse conhecida, a tensão no ambiente fazia com que qualquer sinal de vida fora da antiga casa desaparecesse, como que em um passe de mágica. Tão inexistente era a presença de ruídos, como era a casa onde Ele passara boa parte de sua infância. Mas lá estava, e a noite avançava. Calma e sorrateiramente.

Ao se deparar com a garagem, surgiu-lhe uma certa preocupação em relação à porta. Não eram dias perigosos, mas uma porta deschaviada sempre poderia se tornar um convite à alguém que estivesse querendo "tentar a sorte". E foi exatamente o que aconteceu. Antes que Ele tivesse tempo de levar a mão à chave, a porta se abriu, dando passagem à um senhor de cabelos grisalhos e bom aspecto físico. Sua face despreocupada, com certo tom de animosidade, não traziam calma ao rapaz. Por mais que se trate de uma pessoa com seus sessenta e alguns anos, um desconhecido armado invadindo sua garagem não é exatamente uma visão relaxante.

- Deita e não faz nada... - dizia o velho.

- Não vou fazer... retrucou o moço inclinando-se ao chão.

- Fica quieto aí que eu... - neste momento, em um bote certeiro o jovem arrancou a arma da mão do idoso, e levantou-se rapidamente.

Mas uma coisa o intrigava. O homem não esboçava qualquer sinal de preocupação ou nervosismo. Pelo contrário, até tentava conter um sorriso que lhe escapava pelo canto da boca.

- Ok! Já que está com a arma, atire em mim. Anda, atira logo.

Num primeiro momento, o jovem exitou... Mas, ao ouvir a voz que em sua cabeça lhe dizia para acabar logo com aquilo, puxou o gatilho. Sentiu o impulso da arma... Ele sabia que havia disparado... Porém, ao abrir os olhos novamente, a primeira imagem que pode ver foi a do homem parado à sua frente, agora com um sorriso mais espontâneo. O jovem não entendia o que estava acontecendo. Não havia dúvidas em relação ao disparo, mas... por que o homem ainda estava em pé e sem nenhum sinal de ferimento?

- Pois bem meu rapaz - disse o velho - acredito que agora você já percebeu que está sonhando... - neste momento, sem acordar, o jovem tomou consciência de que aquilo era um sonho - Então fique quieto que eu tenho que consertar uma coisa em sua cabeça.

Ao dizer estas palavras o homem levou a mão na direção da testa do rapaz. Durante um tempo, tudo ficou escuro e silencioso. O jovem acordou e, após dois minutos, seu despertador lhe avisava que era hora de ir para o trabalho.





Ezequiel, "The Dreamer"

quinta-feira, 24 de março de 2011

Novo Lar...

"Bem, agora vamos à sobremesa!"

Lá estava o homem da casa, sentado à mesa com seus amigos e familiares. Apenas observando as pessoas que o rodeavam, enquanto sua esposa trazia uma torta em sua mão esquerda. Era difícil esconder tanta frustração, afinal, após 16 longas horas de espera, só o que obtivera foram alguns minutos de divertimento. E tudo acabou por causa daquele jantar.

Todos à mesa conversavam e gargalhavam como grandes amigos. Menos ele. Sua mente estava longe. Na verdade, estava tão concentrado em seus pensamentos que nem sequer ouvia as risadas à sua volta. "Aquele bostinha..." - As vezes murmurava sem ao menos notar.

- Querido... Querido... Quer torta?

- Ãh... Não... Não... - Responde o homem, como que recém acordado de um sonho bom - Desculpe querida, mas lembrei que esqueci algo no escritório e tenho que dar uma passada lá...

- Mas... Agora? Está tarde... E você tem trabalhado tanto... Não pode deixar isso para amanhã?

- NÃO! Digo, não... Sei que trabalho demais, mas, infelizmente, não tenho como fugir... Se despeça dos nossos convidados por mim! Retornarei em breve - disse o homem pegando a chave do carro.

Já na estrada, rumou para a região mais afastada do centro. Poucas pessoas visitavam a zona rural da cidade, por essa razão, ele sabia que lá poderia encontrar algum lugar mais tranquilo para realizar suas atividades extras. E esta era uma medida necessária, sabendo-se que não poderia retornar ao seu antigo "esconderijo", devido aos fatos ocorridos na tarde.

Já passava das 23:00, quando ele avistou um pequeno casebre de madeira escondido entre o arvoredo. Tudo indicava que estava abandonado, e a localização era ótima. Ao que parecia, não havia vida humana em um raio de pelo menos 3 quilômtros.

Por segurança, Estacionou o carro em um local afastado, e caminhou sorrateiramente na direção do casebre. Realmente, não haviam indícios de que a casa estivesse ocupada, exceto pela porta trancada. Mas isso não era empecílho para sua entrada. O homem tirou de seu bolso duas pequenas hastes metálicas, e, com a maestria de um verdadeiro assaltante, destravou a fechadura da porta.

Em um misto de receio e excitação, o homem adentrou à casa vagarosamente. Observando cada detalhe, ele se deslocava pelos três cômodos, fazendo ringir o assoalho. Porém, ao percorrer todo o recinto, notou que, por mais que os móveis apresentassem evidentes sinais de deterioração pelo tempo, não havia nenhum indício de poeira sobre os mesmos. E, sobre a mesa, havia meio pacote de velas brancas.

Agora sim, já não restava dúvida alguma, alguém morava na casa. Tão logo concluiu isto, o homem escutou uma série de passos do lado de fora do casebre.

- Oba, está chegando alguém pra brincar comigo!!!

Pronunciando estas palavras, escondeu-se atrás da porta do quarto, e, silenciosamente, apanhou uma pequena caixa preta no bolso do paletó. Com todo o cuidado, retirou da caixa uma seringa contendo algum produto químico. Alguém entrou na casa.

O silêncio tomava conta do ambiente. "Será que esqueci de trancar a porta outra vez?", pensava Luiz, ao ver que a porta de sua casa estava totalmente aberta. Vagarosamente, como qualquer pessoa após um exaustivo dia de trabalho, Luiz caminhava em direção ao quarto, onde deveria trocar de roupa e organizar suas coisas para o dia seguinte.

Ao ouvir outra pessoa se aproximando, o homem ficou em posição para atacar. Suas mãos suavam. Sua excitação era tão grande que seus batimentos cardíacos eram quase audíveis. Luiz entrou no quarto, se aproximou da cama e, antes que tivesse tempo de esboçar qualquer reação, foi atacado co um golpe no pescoço. Como não havia luz, não era possível se defender de quem quer que fosse. Seus olhos começaram a ficar pesados, sua boca seca... Aos poucos o robusto homem, foi se inclinando, até que, inconsciente, atingiu o chão.

- Ótimo!!! Vamos ver se tenho mais sorte com esse!!! - disse o homem sorridente. Agora só preciso buscar meus brinquedos no carro. Ah, e desligaro o celular, claro!!!


Ezequiel Com Sono


segunda-feira, 21 de março de 2011

Quer Pagar Quanto?...

Ah, o consumismo!!! O doce prazer trazido pelo ato de adquirir algo que talvez você nem precise!!! Não pelo vício da compra ou por fúteis prazeres ligados ao dinheiro, mas pelo incentivo ao desenvolvimento da economia (¬¬)...

Hoje tornou-se muito fácil comprar qualquer coisa. A cada segundo que passa, abrem 259.387 novas empresas de crédito, financiamento e outras diversas facilidades para você conseguir sanar suas necessidades "dinheirísticas"! Aliás, todo mundo quer dar dinheiro e lhe ajudar a pagar suas contas! É incrível...

Mas, voltando às compras, também não é fácil de se entender o fato de um verbo que causa tanto prazer poder se transformar em algo tão perturbador com o passar do tempo.

Ainda lembro como se fosse ontem... Minha primeira "grande" aquisição... Uma motocicleta! Após a assinatura do contrato de compra, cheguei animadíssimo em casa! Contava os dias para recebê-la! Até que chegou... o carnê de pagamento...

E de fato, realmente foi minha maior aquisição, pois, ao final do carnê, terei passado apenas 4 anos pagando esta @#$%@#...

Mas tudo bem, a culpa foi minha... Eu sabia que o sistema estava lá pra me ferrar e acabei baixando a guarda... Eu mereci...

" Você AMIGO aposentado, pensionista ou apenas desocupado! Está precisando de dinheiro??? Não tem problema!!! Passe em qualquer agência do Grupo Easy Pila® e retire seu próprio caminhão de dinheiro!!! E você já tem crédito pré-aprovado! Mesmo que esteja devendo até sua sombra!!! Aqui você consegue realizar seus desejos com um pequeno juro de 0,05% ao ano (e sua alma) para você pagar em 1000 vezes!!!"

Mas, de fato, comprar está muito fácil. Agora vou pedir lincença à vocês, pois tenho que ir ao banco entregar mais uma parcela da minha alma...




Ezequiel Murdoch