quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre Qualquer coisa (parte 2)...

Há muito a noite caíra, e ele continuava prostrado no canto de seu quarto. Apenas observava os desenhos formados pela cerâmica branca que recobria o chão... Seus olhos demonstravam grande apatia e eram circundados por profundas marcas... Seus ossos doiam e não havia mais o que fazer...

Em uma derradeira tentativa de alívio, erguia a cabeça para apreciar as estrelas que teimavam em aparecer por uma fresta no velho telhado. Obscuro, vazio e sincero consigo mesmo, ostentava em sua mão uma garrafa de amor próprio, disfarçada sob um rótulo negro como sua alma... Do outro lado jazia sua última amiga, seu último refúgio, a velha e lustrosa Colt 45 que pertencera à seu pai... Já era tarde...

Adeus...



Ezequiel Walker


"Mal do século, hã..."

terça-feira, 26 de julho de 2011

Para não falar de flores

Buenas!

Já faz algum tempo que estamos deixando só o caçula cuidando da casa. O Ezequiel, este mesmo que esteve com os anos em festa poucos dias atrás...

A Noite do Assalto

Ele se locomovia lentamente pela rua que teimava em balançar sob seus pés, na vã tentativa de fazê-lo tropeçar. Mas estava feliz, pois fora mais uma noitada bem sucedida com os amigos: as risadas, a roda de violão e as duas caixas de cerveja valeram muito a pena.

Logo adiante, em uma esquina próxima, ele notou um vulto mover-se para ocultar-se em um muro baixo, que esperava ansioso por um acabamento nos tijolos pobres, expostos tristemente ao tempo. "Ah, um cachorro!" ele pensou, seguindo seu rumo trôpego.
A abordagem foi breve, pois oito elementos saltaram na esquina e o cercaram, apontando dois revólveres velhos para sua cabeça, forçando-o a deitar-se no chão. Aos gritos, os adolescentes, que ele notou estarem drogados, foram sacando suas coisas de dentro da mochila e espalhando pelo chão de terra vermelha, no aterro espalhado em frente a casa em construção.
Encontraram telefone celular, umas moedas e fichas de ônibus, mas queriam dinheiro. Começaram a revistar o infeliz e a sacar suas peças de roupas para realizarem uma avaliação, dando a cada peça rejeitada o mesmo destino dos pertences que encontravam-se outrora na mochila surrada, comprada em um ambulante.
Sentindo-se humilhado, apenas de cuecas e meias, implorou aos seus algozes por sua vida e uma camiseta para proteger-se um pouco do frio intenso daquela noite, quando ouviu o primeiro disparo. Sentindo seu fim próximo ele abriu os olhos para ver que o tiro havia sido disparado muito próximo de sua cabeça, mas não o atingira.

Ele era um chato de galochas, mas era um gigante!

Os agressores encontraram por fim sua carteira e retiraram os poucos trocados que lá haviam sobrado, junto com algum cartão bancário e umas poucas folhas de cheque que lá estavam. Decidiram que o deixariam viver para trazer dinheiro na próxima semana. Mas, para não deixar que o recado fosse esquecido, revesaram-se chutando o infeliz até que ele desmaiasse.
Quando acordou, reuniu forças e catou suas coisas jogando-as para dentro do que sobrou da mochila rasgada, vestiu algumas peças de roupa e seguiu mais tonto do que antes, ao rumo de sua casa. Seu corpo parecia anestesiado, pois não conseguia sentir nem avaliar os danos sofridos pelo frio e pela surra. Mas seguiu seu caminho.
Alguns metros adiante, em outra esquina, notou três homens caminhando em sua direção, que ao notarem seu estado precipitaram-se para acudí-lo. Perguntaram onde ele morava e mudaram seu rumo para acompanhá-lo.
Após resumir o ocorrido, um dos homens perguntou se os bandidos haviam levado tudo o que ele tinha de valor. Ao responder que sim, sentiu que perdeu o apoio de um dos homens, que, sacando uma pistola da cinta e apontando para seu rosto disse: "Que sorte tu tens, pois esta era tua segunda blitz da noite." e o rapaz pode ouvir parte do segundo e derradeiro disparo da noite.

Até a próxima carnificina!

Carlão (que não levou o segundo tiro) Bueno

Esta aqui era "podiloca", mas, não tenho que defender ela não...


Abaixo tá iscrito errado, mas pode cê incorporado...


E dos meus heróis, só entra a Cássia Eller.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sobre Aniversários...

"Hoje faço bodas de prata comigo mesmo!".

Sim, hoje é meu aniversário. Mas não estou aqui para pedir saudações e cantos de parabéns à você. Não. O meu lado Grinch não permite isso. Não concordo muito com a ideia de que alguém mereça parabéns pelo simples fato de estar vivo... Mas tudo bem, este não é o foco desta minha aparição.

Hoje vim para fazer um protesto: Chega de chuva. Neste 21 de julho de 2011, completo 25 anos de vida, sendo este meu 25° aniversário chuvoso... Em TODOS os anos chove no dia do meu aniversário... Exato, sem exceções. Minha mãe contou que no dia em que nasci parecia que o mundo ia acabar...

Certa vez, quando fiz 17 anos, foi um dia bonito e ensolarado. Pelo menos até as 18:00, pois, em 5 minutos ou menos, o céu escureceu e pude "apreciar" um dos maiores banhos de chuva involuntários que já tomei...

Pois bem, então esta é minha crítica que vem acompanhada de um pedido especial: São Pedro, só peço de presente para o próximo ano, que o Sr. pare de me sacanear...


Grato.


Ezequiel, o Doutrinador

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aos Amigos Noveleiros...

Não gosto de novelas. Para mim, a novela é uma das formas literárias mais baixas. Mas é só minha opinião.

Meus pais tem o péssimo hábito de assistir a novela que estiver passando enquanto tomam chimarrão ou jantam. Quando não estou na faculdade, jantamos todos juntos e, como eles insistem em não desligar a televisão ou mudar de canal, acabo assistindo uns dez ou quinze minutos de novela também. Contra minha vontade, mas assisto.

Durante estes últimos anos de tortura, consegui decifrar a receita das novelas em geral. O esqueleto é mais ou menos assim:

- Sempre tem um casal que é o par romântico. Até pode acontecer alguma briga ou até mesmo separação, mas no final eles ficam juntos. Também há casos em que eles se conhecem no meio da novela.

- Outra coisa interessante é que a maioria das casas tem empregadas. Não que isto seja algo estranho, mas é que geralmente são empregadas "à lá antiga", daquelas que ficam em pé ao lado da mesa até os patrões terminarem a refeição, usam guarda-pós e dormem na casa da patroa.

- A novela se passa em mais de um país? Não tem problema! Todas as pessoas do mundo falam o mesmo idioma.

- Também existe o(s) bandido(s) da trama. Pessoas que tem o único objetivo de fazer os outros se darem mal.

- O bandido nunca acaba na cadeia. Ou morre ou enlouquece, mas nunca termina preso.

Mas, na verdade, isto não é o que eu realmente queria dizer.

A cada minuto que passa, assistimos mais e mais pessoas reclamando do mundo como ele está e dizendo que temos que deixar uma boa herança para as gerações futuras. Como disse antes, quando não tenho aula sou obrigado a assistir uns quinze minutos de novela por noite, o que me faz pensar que mais gente da minha idade e até crianças assistem por bem mais tempo. E crianças são mais influenciáveis do que eu.

Então, agora sim chego aonde desejava, se esta é a herança que vamos deixar, um mundo onde o ódio, a vingança, a traição (que achamos tão bela quando vem disfarçada sob um véu de "amor proibido"), a "pegação", a impunidade, a cretinice, a falta de cultura e de humildade, são aplaudidos e incentivados, bem... Agradeço a oportunidade, mas não acredito que será um lugar tão melhor do que já está.

E se perguntarem eu confirmo, DIGO NÃO ÀS NOVELAS...


Ezequiel Luthor